Impacto da Cigarrinha-do-Milho: Prejuízo de US$ 25,8 Bilhões em Apenas 4 Anos

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é uma das pragas mais prejudiciais à agricultura brasileira, causando enormes perdas financeiras nos cultivos de milho. Um estudo recente analisou o impacto econômico causado por enfezamentos relacionados a essa praga nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, estima-se que o país tenha perdido cerca de 22,7% de sua produção de milho anualmente, resultando em cerca de US$ 6,5 bilhões em perdas por ano.
| Período | Perda Anual de Safra | Perdas Acumuladas | Produção Perdida (sacas de 60kg) |
| 2020 – 2024 | 22,7% | US$ 25,8 bilhões | 2 bilhões |
ANÁLISE DOS PREJUÍZOS
A pesquisa, que contou com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e outras entidades, avaliou as perdas associadas à cigarrinha-do-milho através de várias safras. Durante a primeira safra analisada (2020/2021), as perdas foram mais significativas, alcançando 28,9%, e na safra de 2023/2024, a taxa de perda foi reduzida para 16,7%. Além disso, o custo com inseticidas aumentou em 19%, tornando a produção mais onerosa para os agricultores.
De acordo com os pesquisadores, a média anual de perdas foi de 31,8 milhões de toneladas, afetando diretamente a produtividade em 80% das áreas examinadas. O estudo destaca que o levantamento de dados foi crucial para a elaboração de estimativas econômicas no setor agrícola.
DANOS CAUSADOS PELOS ENFEZAMENTOS
O Brasil, um dos maiores produtores e exportadores de milho do mundo, enfrenta desafios significativos com dois tipos principais de enfezamentos: o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho, ambos transmitidos pela cigarrinha-do-milho. Essas enfermidades são particularmente preocupantes, pois podem levar à perda total da colheita, principalmente em festividades de híbridos suscetíveis.
Embora as causas dos danos sejam conhecidas há décadas, surtos epidêmicos tornaram-se frequentes a partir de 2015, em parte devido a mudanças nas práticas agrícolas que favorecem a sobrevivência da praga. As implicações são severas, afetando tanto a renda dos produtores quanto a competitividade do Brasil no mercado internacional.
EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO NO BRASIL
Historicamente, a área dedicada ao cultivo do milho no Brasil sofreu pouca variação até os anos 2010, mas a partir de 2015 houve um crescimento acentuado. O pico de área plantada foi em 2022/2023, com mais de 22 milhões de hectares. Essa expansão se deve em grande parte à adoção de práticas mais modernas e tecnologias de produção, incluindo o uso de sementes geneticamente modificadas.
Contudo, os surtos de enfezamentos têm gerado quedas significativas na produtividade, demonstrando que, mesmo com avanços tecnológicos, o controle das pragas continua sendo um desafio constante para a agricultura nacional.
MELHORES PRÁTICAS DE MANEJO
Devido à eficiência reprodutiva da cigarrinha-do-milho, o controle da praga é desafiador. Estrategicamente, o manejo deve incluir práticas integradas. A utilização de fungos entomopatogênicos como controle biológico é incentivada, complementando os tratamentos químicos.
As seguintes ações são recomendadas:
- Remoção de plantas de milho tiguera que possam alimentar a praga;
- Sincronização do plantio para evitar períodos prolongados sem cultivo;
- Uso de variedades resistentes para garantir produtividade mesmo sob pressão de doenças;
- Monitoramento contínuo entre produtores para rápida identificação de infecções.
IMPLICAÇÕES PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR
As perdas no cultivo de milho têm um impacto considerável além da esfera agrícola, afetando a produção de proteína animal e biocombustíveis, e elevando os custos ao consumidor. A estimativa de perdas econômicas financeiras é essencial para a formulação de políticas públicas que visem mitigar os impactos, direcionar recursos e oferecer suporte ao setor agrícola.
A pesquisa enfatiza a importância da coleta de dados precisos para guiar a tomada de decisões estratégicas, considerando que o milho é um produto chave na alimentação e na economia brasileiras.
Para mais informações e detalhes completos sobre esta notícia, acesse a matéria original publicada por Poder360 .




